PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM
A partida dos homens A viagem. Houve um momento grande, parado, sem nada dentro. Difícil aspirar as pessoas como o aspirador de pó. – Papai, inventei uma poesia. – Como é o nome? – Eu e o sol. – Sem esperar muito recitou: – “As galinhas que estão no quintal já comeram duas minhocas mas eu não vi.” – Sim? Que é que você e o sol têm a ver com a poesia? – Vi uma nuvem pequena coitada da minhoca acho que ela não viu. Se tinha alguma dor e se enquanto doía ela olhava os ponteiros do relógio, via então que os minutos contados no relógio iam passando e a dor continuava doendo. Mesmo quando não lhe doía nada, se ficava defronte do relógio espiando, o que ela não estava sentindo também era maior que os minutos contados no relógio. Quando acontecia uma alegria ou uma raiva, corria para o relógio e observava os segundos em vão. Deus seria tão amigo dela, mas tão amigo que... que o quê? Podia-se ficar tardes inteiras pensando. Por exemplo: quem disse pela primeira vez assim: nunca? Não era normal ...