quinta-feira, 14 de junho de 2012

Fichamento: COMO SE FAZ UMA TESE - de Umberto Eco



Explicação: Já li alguns livros na vida. Tenho o hábito de ler livros com uma caneta na mão. Depois de sublinhar o que me chama a atenção no livro, isso quando posso, digito os trechos grifados num fichamento sem critério que, até hoje esteve guardado com a intenção de ser apenas um material para a provável (ou não) necessidade de fazer uma revisão. Resolvi publicar esses fichamentos porque podem ser úteis para alguém. São palavras dos outros, mas são minhas porque fui eu quem as selecionou; e o fiz com base no meu próprio julgamento.


Umberto Eco.  Editora: Perspectiva. São Paulo. 1998

    Uma tese consiste num trabalho datilografado, com extensão média variando entre cem e quatrocentas laudas, onde o estudante aborda um problema relacionado com o ramo de estudos em que pretende formar-se. (p.1)
    Numa tese de compilação, o estudante apenas demonstra haver compulsado criticamente a maior parte da “literatura” existente (isto é, das publicações sobre aquele assunto) e ter sido capaz de expô-la de modo claro, (p.3)
    ...a escolha entre tese de compilação e tese de pesquisa prende-se à maturidade e à capacidade de trabalho do candidato. ... e lamentavelmente (...) a fatores econômicos, (p.3)
    ...fazer uma tese que se torne útil também após a formatura. ... é fazer dela o início de uma pesquisa mais ampla, que prosseguirá nos anos seguintes, (p.4)
    ...elaborar uma tese significa: (1) identificar um tema preciso; (2) recolher documentação sobre ele; (3) pôr em ordem estes documentos; (4) reexaminar em primeira mão o tema à luz da documentação recolhida; (5) dar forma orgânica a todas as reflexões precedentes; (6) empenhar-se para que o leitor compreenda o que se quis dizer e possa, se for o caso, recorrer à mesma documentação a fim de retomar o tema por conta própria. (p.5)
    ...não importa tanto o tema da tese quanto a experiência de trabalho que ela comporta. (p.5)
    Com o tempo, tornamo-nos mais maduros, vamos conhecendo mais coisas, porém o modo como trabalhamos nas que sabemos sempre dependerá da maneira com que estudamos no início muitas coisas que ignorávamos. (p.5)
    ...embora seja melhor fazer uma tese sobre um tema que nos agrade, ele é secundário com respeito ao método de trabalho e à experiência daí advinda. (p.5)
    ...as regras para a escolha do tema são quatro:
1)     Que o tema responda aos interesses do candidato
2)     Que as fontes de consulta sejam acessíveis,
3)     Que as fontes de consulta sejam manejáveis,
4)     Que o quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da experiência do candidato. (p.6)
    ...”quem quer fazer uma tese deve fazer uma tese que esteja à altura de fazer”. (p.6)
    ...que o professor seja adequado. (p.6)
    ... seria ... oportuno que o estudante, ... escolhesse um título mais modesto. (p.8)
    Um campo restringe-se quando se sabe o que conservar e o que escoimar. (p.10)
    Só explicamos e entendemos um autor quando o inserimos num panorama.
    ...quanto mais se restringe o campo, melhor e com mais segurança se trabalha. (p.10)
    Uma tese teórica é aquela que se propõe atacar um problema abstrato, que pode já ter sido ou não objeto de outras reflexões: (p.11)
    ...teses brevíssimas, destituídas de apreciável organização interna, mais próximas de um poema lírico que de um estudo científico. (p.11)
    ...ele responde que não foi compreendido, que sua tese é muito mais inteligente que outros exercícios de banal compilação. (p.11)
    Os medievais, com seu exagerado respeito pela autoridade dos autores antigos, diziam que os modernos, embora ao seu lado fossem “anões”, apoiando-se neles tornavam-se “anões em ombros de gigantes”, e, deste modo, viam mais além do que seus predecessores. (p.12)
    ...o autor contemporâneo é sempre mais difícil. (p.13)
    Contudo se se entende a tese como a ocasião para aprender a elaborar uma pesquisa, o autor antigo coloca maiores obstáculos. (p.13)
    ... um valente pesquisador pode levar a cabo uma análise histórica ou estilística sobre um autor contemporâneo com a mesma acuidade e exatidão filosófica exigidas para um autor antigo. (p.13)
    ... trabalhe sobre um contemporâneo como se fosse um antigo, e vice-versa. Será mais agradável e você fará um trabalho mais sério. (p.14)
    ... não mais de três anos e não menos de seis meses. (p.14)
    ... escolher a tese por volta do final do segundo ano de estudos. (p.14)
    ... preciso escolher uma tese que não implique o conhecimento de línguas que não sei ou que não estou disposto a aprender. (p.18)
    Não se pode fazer uma tese sobre um autor estrangeiro se este não for lido no original. (p.18)
    Não se pode fazer uma tese sobre determinado assunto se as obras mais importantes a seu respeito foram escritas numa língua que ignoramos. (p.18)
    Não se pode fazer uma tese sobre um autor ou sobre um tema lendo apenas as obras escritas nas línguas que conhecemos. (p.18)
    ... antes de estabelecer o tema de uma tese é preciso dar uma olhada na bibliografia existente e avaliar se não existem dificuldades lingüísticas significativas. (p.19)
    ... a tese deve ser entendida como uma ocasião única para fazer alguns exercícios que nos servirão por toda a vida. (p.19)
    Um estudo é científico quando ... debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja reconhecível igualmente pelos outros. (p.21)
    O estudo deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma ótica diferente o que já se disse. (p.22)
    Um trabalho de compilação só tem utilidade científica se ainda não existir nada de parecido naquele campo. (p.22)
    O estudo deve ser útil aos demais. (p.22)
    Um trabalho é científico se ... acrescentar algo ao que a comunidade já sabia, e se todos os futuros trabalhos sobre o mesmo tema tiverem que levá-lo em conta, ao menos em teoria. (p.22)
    O estudo deve fornecer elementos para a verificação e a contestação das hipóteses apresentadas (p.23)
    ... os requisitos de cientificidade podem aplicar-se a qualquer tipo de pesquisa. (p.24)
    ... até sobre um tema ... pouco erudito e pobre ... se pode executar um trabalho científico, útil aos outros, inserível numa pesquisa mais ampla e indispensável a quem queira aprofundar o tema, (p.32)
    uma tese estuda um objeto por meio de determinados instrumentos. Muitas vezes o objeto é um livro e os instrumentos, outros livros. (p.35)
    em certos casos, pelo contrário, o objeto é um fenômeno real: (p.35)
    A distinção entre as fontes e a literatura crítica precisa estar bem clara, (p.36)
    ... é muito importante definir logo o verdadeiro objeto da tese, já que, desde o início, impõe-se o problema da acessibilidade das fontes. (p.37)
    ... se se está em condições de aceder às fontes, e é preciso saber: (1) onde podem ser encontradas, (2) se são facilmente acessíveis, (3) se estou em condições de compulsá-las. (p.36/37)
    Quando trabalhamos sobre livros, uma fonte de primeira mão é uma edição original ou uma edição crítica da obra em apreço. (P.39)
    Tradução não é fonte: ... Antologia não é fonte: ... Resenhas efetuadas por outros autores, mesmo completadas pelas mais amplas citações, não são fontes: (p.39)
    ... nos limites fixados pelo objeto do meu estudo, as fontes devem ser sempre de primeira mão. ... Em teoria, um trabalho científico sério não deveria jamais citar uma citação, mesmo não se tratando do autor diretamente estudado. (p.40)
    Organizar uma bibliografia significa buscar aquilo cuja existência ainda se ignora. (p.42)
    Catálogos bibliográficos — São os mais seguros para quem já tenha uma idéia clara do tema que pretende trabalhar. (p.43)
    O modo mais cômodo de escolher os catálogos bibliográficos é, em primeiro lugar, solicitar os títulos ao orientador da tese. Em Segunda instância, pode-se recorrer ao bibliotecário. (p.44)
    É preciso superar a timidez, pois, com freqüência, o bibliotecário nos orientará com segurança, fazendo-nos ganhar muito tempo. (p.44)
    É claro que, ... se deve contar com a ajuda do bibliotecário, ... não convém confiar nele cegamente. (p.44)
    O arquivo de leitura compreende fichas, ... dedicadas aos livros ... que você de fato leu: (p.47)
    O arquivo bibliográfico ... registrará todos os livros a serem procurados. (p.47)
    O arquivo bibliográfico deve nos acompanhar sempre que formos a uma biblioteca. (p.47)
    ... para violar regras ou opor-se a elas importa antes de tudo conhecê-las ( p.48
    a citação bibliográfica ... A inicial não basta, (p.48)
    Não é preciso colocar entre aspas o título do livro, pois é costume quase universal fazer isso com títulos de capítulos ou artigos de revista. ... os títulos anglo-saxões empregam com maiúsculas substantivos, adjetivos e verbos, e com minúsculas artigos, partículas, preposições e advérbios (p.48)
    É errado dizer onde um livro foi publicado e não esclarecer por quem. (p.48)
    O nome da cidade só bastará se se tratar de obras antigas (p.49)
    ... menciona-se sempre o local da edição, não da impressão ... não se contente com os dados do frontispício, ... vá até a página seguinte, a do copyright. Lá você encontrará o local verdadeiro da edição, a data e o número da edição. (p.49)
    ... é bom mencionar a cidade da edição sempre na língua original. (p.49)
    Apenas na página do copyright você encontrará a data da primeira edição (p.49)
    Quando se trabalha sobre um autor ... não deve difundir idéias erradas sobre seu trabalho, ... se ... utilizarmos uma edição posterior, revista e aumentada, precisaremos especificar a data da primeira edição tanto quanto a da que você utilizou. (p.50)
    ... maneiras de citar ... livros ... existem outros critérios, ... válido enquanto permitir: (a) distinguir livros de artigos ou de capítulos de outros livros; (b) determinar ... o nome do autor e o título; (c) determinar o local da publicação, editora e edição; (d) determinar, eventualmente, ... dimensão do livro. (p.50)
    o segundo exemplo ... americano ... mais usado em notas de rodapé do que em bibliografias finais. ... o sistema número 1 nos diz tudo o que é preciso, (p.51)
    ... os artigos de revista entram na mesma categoria (como se verá) dos capítulos de livros e de atas de congressos. (p.51)
    Devemos deixar ... espaços em branco para as indicações que por hora faltam. (p.53)
    Muitos autores e nenhum organizador ... indica-se apenas o primeiro autor, seguido do et al.
    ... o título do capítulo é in um dado livro, ... o artigo da revista não é in a revista, (p.54)
    Anônimos, pseudônimos, etc ... No primeiro caso, basta colocar, no lugar do nome do autor a palavra “anônimo”. No segundo, fornecer depois do pseudônimo o nome verdadeiro ... entre parênteses ... seguido de um ponto de interrogação caso se trate de uma hipótese válida. ... um autor reconhecido como tal ... mas cuja figura histórica foi posta em dúvida ... deve-se registrá-lo como “Pseudo”. ... No terceiro caso, ... o verbete ... aparecerá com a sigla “M.Pr.” ... à lista de abreviaturas ... verifica tratar-se de Mário Praz. Portanto: M(ario) Pr(az) (p.54/55)
    Agora in ... se se trata de obras sobre as quais a tese se apoia especificamente, então os dados da primeira publicação passam a ser essenciais por razões de exatidão histórica. (p.55)
    Citações de jornais ... como as de revista, salvo que ... colocar a data antes do número. (p.55)
    ... jornais que não tenham ... difusão nacional ou internacional ... especificar a cidade: (p.55)
    Citações de documentos oficiais ou de obras monumentais ... existem abreviaturas e siglas que variam de disciplina para disciplina, (p.55)
    Citações de clássicos ... existem convenções quase universais, ... título-livro-capítulo, parte-parágrafo ou canto-verso. (p.56)
    O principal critério deve ser o da praticidade e clareza: (p.56)
    Citações de obras inéditas ou documentos privados ... são especificados como tais. (p.57)
    Originais e traduções ... convém fornecer uma dupla indicação. (p.57)
    ... fazê-lo em sua própria língua, mas especificando tradução e edição. (p.58)
    ... é preciso sempre controlar as referências bibliográficas em mais de uma fonte. (p.59)
    ... a completude da informação depende do tipo da tese e do papel que um dado livro desempenha no discurso global (p.59)

    RESUMO DAS REGRAS PARA A CITAÇÃO BIBLIOGRÁFICA
LIVROS
1 – nome e sobrenome do autor (ou autores, ou organizador, com eventuais indicações sobre pseudônimo ou falsas atribuições).
2 – Título e subtítulo da obra.
3 – ( “Coleção” ),
4 – Número da edição (se houver várias),
5 – Local da edição: não existindo no livro, escrever s.l. (sem local),
6 – Editor: não existindo no livro, omiti-lo,
7 – Data da edição: não existindo no livro, escrever s.d. (sem data),
8 – Dados eventuais sobre a edição mais recente,
9 – Número de páginas e eventual número de volumes de que a obra se compõe,
10 – (Tradução: se o título era em língua estrangeira e existe uma tradução na nossa, especifica-se o nome do tradutor, o título traduzido, local de edição, editor, data da edição e número de páginas, eventualmente).
ARTIGOS DE REVISTA
1 – Nome e sobrenome do autor.
2 – “Título do artigo ou capítulo”.
3 – Título da revista,
4 – Volume e número do fascículo (eventuais indicações de Nova Série),
5 – Mês e ano,
6 – Páginas onde aparece o artigo.
CAPÍTULOS DE LIVROS, ATAS DE CONGRESSOS, ENSAIOS EM OBRAS COLETIVAS
1 – Nome e sobrenome do autor.
2 – “Título do capítulo ou do ensaio”.
3 – In:
4 – Eventual nome do organizador da obra coletiva ou VVAA,
5 – Título da obra coletiva,
6 – (Eventual nome do organizador se primeiro foi colocado VVAA),
7 – Eventual número do volume da obra onde se encontra o ensaio citado,
8 – Local, Editor, data, número de páginas, como no caso de livros de um só autor. (p.60)

    ... às vezes, basta encontrar um único texto para resolver uma série inteira de problemas. (p.73)
    ... informações de Segunda mão, deverei sempre assinalar em nota: “cit. In Getto, etc.”, e isso não só por honestidade, mas também por prudência, já que uma eventual imperfeição nas citações não ficará sob minha responsabilidade; (p.74)
    ... a única coisa que não posso permitir-me é ignorar os autores originais sobre os quais farei a tese. ... Uma tese deve apresentar também material de primeira mão. (p.74)
    Se alguém não pode deslocar-se, o melhor é trabalhar com o que há in loco. (p.75)
    ... pode chegar a uma biblioteca de interior sem saber nada ou quase nada sobre um tema e Ter, em três tardes, idéias suficientemente claras e completas. ( p.76/77)
    Há teses que se fazem folheando jornais ou atas parlamentares, mas elas também exigem uma literatura de apoio. (p.78)
    ... uma tese sobre livros recorre a dois tipos de livros: os livros de que se fala e os livros com a ajuda dos quais se fala. (p.78)
    ... o círculo é em si vicioso, pois sem literatura crítica preliminar o texto pode parecer ilegível, e sem o seu conhecimento não se pode aquilatar a literatura crítica. (p.78)
    Existem pessoas monocrônicas e policrônicas. As primeiras só trabalham bem quando começam e acabam uma coisa por vez. ... os policrônicos são o contrário.
    Uma das primeiras coisas para começar a trabalhar numa tese é escrever o título, a introdução e o índice final ... redigir logo o índice como hipótese de trabalho serve para definir o âmbito da tese. (p.81)
    ... os textos que não explicam com grande familiaridade os termos que empregam deixam a suspeita de que seus autores são muito mais inseguros (p.113)
    ... uma tese é um trabalho que ... se dirige ao examinador, mas ... possa ser lida ... por muitos outros, mesmo ... não versados ... naquela disciplina. (p.113)
    ... será ... conveniente fornecer ao leitor todas as informações de que ele precisa. (p.114)
    ... definir todos os termos técnicos usados como alegorias-chave em nosso discurso. (p.114)
    ... se escreve (à humanidade, não ao examinador), (p.115)
    Não imite Proust. Nada de períodos longos. Não receie repetir duas vezes o sujeito. Elimine o excesso de pronomes e subordinadas. (p.115)
    Portanto, ao falar do estilo dos futuristas, evite escrever como um deles. ... A linguagem da tese é uma metalinguagem, isto é, uma linguagem que fala de outras linguagens. ... O pseudopoeta que faz sua tese em versos é um palerma (e com certeza mau poeta). (p.116)
    Abra parágrafos com freqüência. (p.117)
    Escreva o que lhe vier à cabeça, mas apenas em rascunho. ... A finalidade da tese é demonstrar  uma hipótese que se elaborou inicialmente, e não provar que se sabe tudo. (p.117)
    Use o orientador como cobaia. ... recorra a um amigo. Verifique se qualquer pessoa entende o que você escreveu. (p.117)
    Não se obstine a iniciar no primeiro capítulo. (p.117)
    Não use reticências ou pontos de exclamação, nem faça ironias. (p.117)
    Defina sempre um termo ao introduzi-lo pela primeira vez. Não sabendo defini-lo, evite-o. (p.119)
    Não comece a explicar onde fica Roma para depois não explicar onde fica Timbuctu. (p.119)
    ... tenha a humildade de fornecer todos os dados, se não no texto, pelo menos numa nota logo no início: ... Não presuma que todos saibam de que se trata. (p.120)
    Eu ou nós? ... Dizemos “nós” por presumir que o que afirmamos possa ser compartilhado pelos leitores. Escrever é um ato social: escrevo para que o leitor aceite aquilo que lhe proponho. (p.120)
    Nunca use artigo diante de nome próprio. (p.120)
    Não aportuguese jamais os nomes próprios estrangeiros. (p.120)
    Só se deve aportuguesar os sobrenomes estrangeiros em caso de tradição consagrada. (p.121)
    ... as citações são praticamente de dois tipos: (a) cita-se um texto a ser depois interpretado e (b) cita-se um texto em apoio à nossa interpretação. (p.121)
    ... citar com profusão ou com parcimônia. Depende do tipo de tese. (p.121)
    Os textos da literatura crítica só são citados quando, com sua autoridade, corroboram ou confirmam afirmação nossa. (p.121)
    ... se o texto for importante, mas muito longo, é melhor transcrevê-lo por extenso em apêndice e citar ao longo dos capítulos apenas breves períodos. (p.121)
    ... ao citar ... deve-se estar seguro de que a citação diga algo de novo ou confirme o que fora dito com autoridade. (p.121)
    ... não é preciso apoiar-se na autoridade de quem quer que seja para demonstrar ... evidente. (p.122)
    As citações pressupõe que a idéia do autor citado seja compartilhada, a menos que o trecho seja precedido e seguido de expressões críticas. (p.122)
    De todas as citações devem ser claramente reconhecíveis o autor e a fonte impressa ou manuscrita. (p.122)
    com  simples parênteses, onde se menciona o número da página quando o capítulo ou toda a tese tratam da mesma obra do mesmo autor. (p122)
    As citações de fonte primárias devem de preferência ser colhidas da edição crítica ou da edição mais conceituada; (p.122)
    Quando se estuda um autor estrangeiro, as citações devem ser na língua original. ... Pode ainda suceder que se fale de um autor estrangeiro, ... que se examinem seus textos não por razões de estilo, mas de conteúdo filosófico. Neste caso, se as citações forem muitas e contínuas, pode-se recorrer a uma boa tradução para tornar o discurso mais fluente, apenas inserindo breves trechos no original quando se quiser ressaltar o uso específico de uma certa palavra. (p.123)
    “Ibidem”  significa “no mesmo lugar”  e só se usa quando se quer repetir a citação da nota precedente. (p.124)
    Quando uma citação não ultrapassa duas ou três linhas, pode-se inseri-la no corpo do parágrafo entre aspas duplas, ... Quando a citação é mais longa, é melhor colocá-la em espaço com entrada (p.124)
    A subdivisão em parágrafos da fonte original deve ser mantida na citação. (p.125)
    As citações devem ser fieis. ... nunca se devem eliminar partes do texto sem que isso seja assinalado: ... jamais fazer interpolações: qualquer comentário, esclarecimento ou especificação nossos devem vir entre colchetes. (p.125)
    ... a referência deve ser exata e precisa (não se cita um autor sem dizer em que livro e em que página) ... quando uma informação ou um juízo ... nos forem fornecidos por uma comunicação pessoal, carta ou manuscrito? ... citar a frase apondo em nota uma das seguintes expressões: [ especificação] (p.126)
    Se omitirmos uma parte pouco importante,... a elipse deve seguir a pontuação da parte completa. Se omitirmos uma parte central..., a elipse precede a vírgula. (p.127)
    ... apenas um verso pode aparecer no corpo do texto: ... Dois versos podem aparecer no texto separados por uma barra: ... um excerto poético mais longo, ... recorrer ao sistema de espaço com entrada: (p.127)
    Procede-se da mesma forma perante um único verso destinado a ser alvo de uma longa análise subsequente, (p.127)
    ... é preciso certificar-se  de que os trechos que copiou são realmente paráfrases e não citações sem aspas. Do contrário terá cometido um plágio. (p.128)
    Como Ter certeza de que uma paráfrase não é um plágio? ... A prova mais cabal é dada quando conseguimos parafrasear o texto sem tê-lo diante dos olhos, significando que não só não o copiamos como o entendemos. (p.128)
    Você deve estar seguro de que, não existindo aspas na ficha, o que ali está é uma paráfrase e não um plágio. (p.129)
    As notas servem para indicar as fontes das citações. ... Se for nota de referência bibliográfica, convém que apareça em rodapé e não no fim do livro ou do capítulo, (p.130)
    ... acrescentar ao assunto discutido no texto outras indicações bibliográficas ... é também cômodo colocá-las em rodapé.
    ... introduzir uma citação de reforço (p.130)
    ... ampliar as afirmações que se fez no texto (p.130)
    ... corrigir as afirmações que se fez no texto: (p.131)
    ... dar a tradução de uma citação ... ou a versão original de uma citação (p.131)
    ... pagar dívidas. ... por exemplo, que uma série de idéias originais ora expostas jamais teria vindo à luz sem o estímulo recebido da leitura de determinada obra ou das conversações privadas com tal estudioso.(p.131)
    ... uma nota nunca deveria ser excessivamente longa, do contrário não será uma nota, mas um apêndice que, ... deve aparecer no fim da obra, numerado. ... ou todas as notas em rodapé ou no fim do capítulo, ou breves notas em rodapé e apêndices no fim da obra. (p.131)
    ... se se está examinando uma ... obra de um só autor, ... poder-se-á evitar as notas simplesmente fornecendo no início do trabalho abreviaturas para as fontes e inserindo entre parênteses, no texto, uma sigla com o número de página (p.131)
    É preciso Ter cuidado em não transferir para as notas informações importantes e significativas: ... “qualquer nota de rodapé deve justificar praticamente sua própria existência”. (p.131)
    ... as obras citadas em nota deverão aparecer depois na bibliografia final (exceto nos raros casos em que a nota cita um autor que nada tem a ver com a bibliografia específica da tese, ... a nota bastaria). (p.132)
    O sistema autor-data (p.134)
* A bibliografia assume portanto uma das seguintes formas, (p.134)
* ... este sistema só funciona sob certas condições: (p.135)
* ... uma bibliografia muito homogênea e especializada, (p.135)
* uma bibliografia moderna, (p.135)
* uma bibliografia científico-erudita: (p.135)
    ... quando duas obras do mesmo autor aparecem no mesmo ano, costuma-se especificar a data acrescentando-lhe uma letra alfabética), (p.136)
    Não forneça referências e fontes para noções de conhecimento geral. (p.138)
    Não atribua a um autor uma idéia que ele apresenta como de outro. (p.138)
    Não acrescente ou corte notas apenas para acertar a numeração. (p.138)
    Há um método para citar a partir de fontes de Segunda mão, observando-se as regras de correção científica. (p.139)
    Dar sempre informações precisas sobre edições  críticas, revisões e similares. (p.139)
    Cuidado ao citar um autor antigo de fontes estrangeiras. (p.139)
    Decida como formar os adjetivos a partir dos nomes próprios estrangeiros. (p.140)
    Cuidado quando encontrar números em livros em inglês. (p.140)
    Nada de estabelecer equivalências fáceis entre termos de línguas diferentes. (p.140)
    Agradecimentos ... É de mau gosto agradecer demasiado ao orientador. Se o ajudou, fê-lo, em parte, por obrigação. (p.140)
    Ao falar, você é a autoridade. ... seja modesto e prudente antes de abrir a boca, mas, depois de abri-la, seja arrogante e orgulhoso. (p.141)
    O que se sublinha?
·         palavras estrangeiras de uso pouco comum
·         termos técnicos que se queira acentuar
·         frases ... que constituam o enunciado de uma tese ou sua demonstração conclusiva
·         títulos de livros
·         títulos de poesias, obras teatrais, quadros e esculturas
·         títulos de jornais e semanários
·         títulos de filmes, canções e óperas. (p.146/147)
    ... não sublinhe as citações de outros autores, ... trechos acima de duas ou três linhas. (p.147)
    ... você pode usar (com muita parcimônia) as maiúsculas para palavras isoladas de particular importância técnica. (p.147)
    Não use versalete por razões enfáticas ... Em geral, jamais enfatize de forma alguma, não use ponto de exclamação nem reticências (a não ser para indicar a interrupção de um texto citado). (p.148)
    Um parágrafo pode ter subparágrafos, ... Se o título do parágrafo estiver sublinhado, o do subparágrafo se distinguirá por não sê-lo, ... para distinguir o parágrafo do subparágrafo intervém a numeração. (p.148)
    “as citações diretas que não ultrapassarem as três linhas datilografadas aparecem entre aspas duplas, e no texto”. (p.149)
    termos de uso comum ou de outros autores a quem desejamos atribuir a conotação de  “assim chamado”  ... para enfatizar um termo, basta sublinhar ou recorrer às aspas ‘simples’; (p.149)
    citações de falas de peças teatrais. (p.150)
     para citar, num texto de outrem entre aspas um outro texto também entre aspas? Usam-se as aspas simples, (p.150)
    aspas ‹‹ angulares ›› ...
·         raramente são usadas, (p.150)
    Trata-se de um caso raro, no qual você precisa tomar uma decisão de acordo com a literatura crítica com a qual trabalha, (p.150)
    Transliterar significa transcrever um texto adotando um sistema alfabético diferente do original. (p.151)
    Os sinais diacríticos são sinais que se acrescentam às letras normais do alfabeto para der-lhes um particular valor fonético. (p.152)
    ... em francês, mesmo em tipografia, não se acentuam as maiúsculas. (p.152)
    Quanto às outras línguas, é preciso decidir caso por caso, e, como sempre, a solução será diferente conforme se cite uma palavra isolada ou se faça a tese sobre essa língua específica. (p.152)
    O ponto e a vírgula. Após citações entre aspas, ficam sempre dentro destas, desde que estas encerrem um discurso completo. ... não se usa a vírgula antes da abertura de parênteses. (p.155)
    A chamada de nota vai antes do sinal de interpontuação. (p.155)
    Quanto às palavras espanholas, só recebem acento agudo: Hernándes, García, Verón. (p.158)
    Não exagere com as maiúsculas. (p.158)
    Feche sempre as aspas que abriu. (p.158)
    Não use números em algarismos arábicos em demasia. (p.158)
    Use números para datas, que é sempre preferível serem por extenso: 27 de Abril de 1999 e não 27/4/99; (p.159)
    Nunca escreva  “XIIº”  pois os algarismos romanos exprimem sempre os ordinais (P.159)
    Seja coerente com as siglas. (p.159)
    Preste atenção nas citações de títulos de livros (p.159)
    a) Como se diz em Os Noivos
·         A mais correta é a (a) (p.159)
    escolhida a forma, siga-a sempre. ... jornais, preste atenção se o artigo faz ou não parte do título. (p.159)
    Não exagere sublinhando inutilmente. ... Nunca sublinhe nomes de marcas ou de monumentos célebres: ... os termos filosóficos usados em língua estrangeira, mesmo sublinhados, não se põem no plural nem tão pouco se declinam: ... mas os termos latinos se declinam: ... É melhor evitar estas situações difíceis usando o termo correspondente em nossa língua (p.159/160)
    Use com critério a alternância de ordinais e cardinais, algarismos romanos e arábicos. Tradicionalmente o algarismo romano indica a subdivisão mais importante. (p.160)
    ... mantenha o mesmo critério. (p.160)
    Releia o trabalho datilografado! ... Eis algumas coisas que se deve controlar de maneira absoluta:
·         Páginas
·         Remissões internas
·         Citações
·         Notas
·         Bibliografia (p.160)
    ... uma tese deve Ter uma bibliografia final, (p.161)
    ... o problema varia segundo o tipo de tese, e a questão está em organizar uma bibliografia que permita distinguir e individualizar fontes primárias e fontes secundárias, (p.162)
    ... os objetivos de uma bibliografia são: (a) tornar reconhecível a obra a que nos referimos; (b) facilitar a sua localização e (c) demonstrar familiaridade com os usos da disciplina em que se faz a tese. (p.162)
    ... a bibliografia de uma tese deve conter apenas as obras consultadas ... outra solução seria desonesta. ... também aqui ... depende do tipo de tese. ... Bastaria, ... que o candidato advertisse claramente que não consultou todas as obras mencionadas (p.162)
    ... porém, ... se ...já existe uma bibliografia completa, é melhor remeter a ela e registrar apenas as obras efetivamente consultadas. (p.162)
    Muitas vezes a credibilidade de uma bibliografia é dada por seu título. (p.163)
    ... eis uma divisão padrão para uma tese genérica:
·         Fontes
·         Repertórios bibliográficos
·         Obras sobre o tema ou sobre o autor (às vezes divididas em livros e artigos)
·         Materiais adicionais (entrevistas, documentos, declarações) (p.163)
    Uma tese de filologia que discute um texto raro ... trará este texto em apêndice, ... Uma tese na qual se faz constantes referências a um dado documento, ... poderia incluir este documento em apêndice. Uma tese ... que discuta uma lei ou um corpo de leis deverá inserir tais leis em apêndice (p.163)
    ... devem vir em apêndices todos os dados e documentos que tornem o texto pesado e de difícil leitura. ... deve-se agir à luz do bom senso, (p.164)
    O índice deve registrar todos os capítulos, subcapítulos e parágrafos do texto, com a mesma numeração, com as mesmas páginas e com as mesmas palavras. (p. 165)
    [o índice] Pode ser posto no início ou no fim. (p.165)
    A meu ver, é mais cômodo colocá-lo [o índice] no início, ... mas ... que seja mesmo no início. (p.165)
    Numa tese, ... Basta um bom índice-sumário bem analítico, de preferência na abertura da tese, logo depois do frontispício. (p.165)
    ... não é necessário concluir os títulos com um ponto. ... alinhar os números à direita e não a esquerda, (p.167)
    Fazer uma tese significa divertir-se, e a tese é como porco: nada se desperdiça. (p. 169)
    O importante é fazer as coisas com gosto. (p.169)
    Há uma satisfação esportiva em dar caça a um texto que não se encontra, há uma satisfação de charadista em encontrar, após muito refletir, a solução de um problema que parecia insolúvel. (p.169)
    Viva a tese como um desafio. O desafiante é você: ... Às vezes a tese pode ser vivida como uma partida a dois: o autor que você escolheu não quer confiar-lhe o seu segredo, ... Às vezes a tese é um puzzle: você dispõe de todas as peças, cumpre fazê-las entrar em seu devido lugar.(p.169/170)
    Se fez a tese com gosto, há de querer continuá-la. (p.170)
    Mesmo um bom profissional deve continuar a estudar. (p.170)
    ... uma tese bem feita é um produto de que se aproveita tudo. (p.170)
    ... será esta a primeira vez que você faz um trabalho científico sério e rigoroso, e isto não é experiência de somenos importância.

Um comentário: